Ano novo não é recomeço, é continuação

É com muita alegria que publico o primeiro texto do Diário Aberto. O texto de hoje é um convite para olhar o ano novo menos como recomeço e mais como continuação, com menos expectativas concentradas em um único dia e mais atenção ao percurso, às pausas necessárias e ao respeito ao próprio ritmo.

Ano novo sempre vem carregado de uma energia de renovação. Existe uma espécie de expectativa coletiva de que, a partir do dia 1º, tudo vai mudar: os planos finalmente vão sair do papel, as metas serão alcançadas, a vida vai se organizar. Essa energia é boa, dá um fôlego. Mas, na prática, a maioria das resoluções de ano novo não sobrevive muito tempo. A rotina chega, o cansaço pesa e o imprevisível – que nunca falha – assume o controle. E aquela empolgação inicial acaba sendo substituída ao longo do ano por frustração e desânimo. Aí, o que gente faz? Empurra tudo para o próximo ano novo.

Talvez o problema esteja em colocar expectativa demais em um único dia. Como se fosse possível acordar no dia 1º e resolver a vida inteira. Mas, ninguém resolve 365 dias passados em um dia novo. Na verdade, ninguém resolve uma vida inteira em um único dia.

Depois da virada, seguimos sendo a mesma pessoa. Com os mesmos sonhos, os mesmos planos, a mesma rotina, o mesmo cansaço. Por isso, cada vez mais tenho pensado que o ano novo não é exatamente um recomeço, é uma continuação. Eu comparo com um filme, imagina assistir um filme inteiro pausando o tempo inteiro e recomeçando? Fica chato, às vezes perde até o sentido. Não seria melhor apenas seguir o filme?

O que eu quero dizer é que a gente nunca começa do zero. A gente vai acumulando bagagem e segue em frente. Ou seja, nem tudo precisa ser resolvido no dia 1º. Pode ser resolvido ao longo do ano, ao longo da vida. O importante é não regredir e descansar no percurso porque o ócio não é se atrasar, é condição para continuar.

É importante respeitar o próprio tempo. Tudo na vida leva tempo para se resolver, para acontecer. Esse site mesmo não nasceu de um final de semana inspirado.  A ideia de ter um projeto meu é bem antiga, na verdade. Mas, só em 2025 que eu coloquei no papel, fiz anotações soltas, ideias rabiscadas, dúvidas sobre como fazer e por onde começar. Passei o ano planejando até que agora, em 2026, estou no ar.

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Minha carreira é outro exemplo. São quase 15 anos de advocacia. Passei 10 anos trabalhando com Direito Tributário, até que percebi que não fazia mais sentido seguir ali. Levou tempo para eu entender que uma mudança precisava acontecer, levou ainda mais tempo para criar coragem e me dedicar apenas aos com Tribunais Superiores. E não teve uma pausa, foi um processo contínuo, ainda estou em movimento.

E tudo que veio antes disso não foi descartado, e nem pode. Faz parte do caminho.

Talvez seja isso: quase tudo na vida é construção contínua. Por isso que para mim o dia 1º é uma continuação com o bônus de ser o momento perfeito para refletir e reorganizar, e na melhor das hipóteses levar essa reflexão para o ano inteiro, não só para o dia 1º.

Seguimos.

Feliz 2026!

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